Paderne · Albufeira Local emblemático do Algarve

Castelo de Paderne, Albufeira: a fortaleza de terra da bandeira portuguesa

Fortaleza almóada Visita gratuita A 12 km de Albufeira

Não se chega ao Castelo de Paderne por acaso. Este castelo medieval do Algarve ergue-se numa colina despida, numa curva do rio Quarteira, a doze quilómetros para o interior a partir dos chapéus de sol de Albufeira, e o último troço faz-se por um caminho de terra entre figueiras e alfarrobeiras. Lá em cima, nada de um castelo de postal cheio de torreões e bandeiras: uma fortaleza com oitocentos anos construída em terra compactada, meio fundida na encosta, e um dos sete castelos representados na bandeira portuguesa.

séc. XIIConstruído pelos Almóadas
1248Conquista definitiva
1,8 mEspessura das muralhas
≈1 haRecinto fortificado

O que é o Castelo de Paderne? Uma fortaleza almóada de terra, no Algarve

O que primeiro surpreende o visitante é o material das muralhas. Paderne não é um castelo de pedra aparelhada: foi erguido em taipa, uma mistura compactada de terra, cal, giz e cascalho colocada entre cofragens de madeira e deixada a endurecer como betão. Parece frágil. Não é. Estas muralhas de terra têm quase dois metros de espessura, assentam sobre uma sólida base de pedra e atravessaram oito séculos de sol algarvio, chuvas de inverno e pelo menos um terramoto catastrófico.

A fortaleza pertence ao último capítulo da presença islâmica no Algarve. Perante os exércitos cristãos que avançavam desde o norte, os Almóadas deixaram de apostar apenas nas grandes cidades fortificadas e criaram uma segunda linha de fortificações rurais de média dimensão pelo interior. Paderne, entre Silves e Loulé, vigiava uma rota que ligava o interior à costa. Atrás da muralha, não havia uma guarnição, mas uma pequena aldeia agrícola fortificada: ruelas estreitas, casas com pátio central, cisternas e uma rede de drenagem que conduzia as águas residuais e pluviais para fora do recinto.

Hoje, o recinto forma um trapézio com cerca de um hectare, a céu aberto, com as ruínas de uma capela junto à muralha sul e uma única torre ainda de pé a guardar a entrada. Mais abaixo, o vale integra a Rede Natura 2000, coberto de olivais, alfarrobeiras e mato mediterrânico; um trilho sobe até às muralhas a partir da velha ponte romana que atravessa o rio.

A história do Castelo de Paderne em onze datas-chave

Romanos, berberes, cruzados, monges-soldados e, por fim, arqueólogos. Poucas colinas do Algarve mudaram de mãos tantas vezes, e a história do Castelo de Paderne lê-se como um resumo do sul de Portugal.

século II

Roma ocupa a colina

Os Romanos ocupam um castro lusitano preexistente e transformam-no num posto militar e, mais tarde, num centro administrativo chamado Paderna. A razão encontra-se mais abaixo: a Via Lusitanorum atravessava aqui mesmo o rio Quarteira.

713

A chegada dos muçulmanos

O domínio romano cai nas mãos das tropas muçulmanas durante a conquista da Península. Durante os cinco séculos seguintes, a colina pertence ao al-Andalus, e os campos em redor são mais cultivados do que fortificados.

Final do século XII

Os Almóadas constroem o castelo

As incursões cristãs esvaziam os campos muçulmanos: os Almóadas lançam então um vasto programa de fortificação no Algarve — Paderne, Silves, Loulé, Faro. A fortaleza de taipa que ainda hoje se mantém de pé é erguida como refúgio para as famílias camponesas do Barrocal.

1189

D. Sancho I e os cruzados

Depois do cerco de Silves, realizado com a ajuda de cruzados vindos do norte da Europa a caminho da Terra Santa, Paderne rende-se ao rei D. Sancho I. Pela primeira vez, a bandeira portuguesa é hasteada na colina.

1191

Retomado dois anos depois

O califa Abu Yusuf Yaqub al-Mansur volta a avançar pelo Algarve e recupera o castelo e as suas terras. A vitória durará pouco mais de meio século.

1248

O último cerco

D. Paio Peres Correia e os cavaleiros da Ordem de Santiago tomam Paderne para a Coroa portuguesa durante o reinado de D. Afonso III. O desfecho é brutal: os habitantes muçulmanos do recinto são massacrados. Pouco depois é erguida uma capela, muito provavelmente sobre os vestígios da mesquita.

século XIV

Entregue aos monges-soldados

Depois de uma série de reparações, o rei D. Dinis entrega o castelo a D. Lourenço Anes, mestre da Ordem de Avis, na esperança de o transformar num verdadeiro centro militar e económico. O projeto nunca chegará verdadeiramente a concretizar-se.

1506

A paróquia muda-se

A capela de Nossa Senhora do Castelo servia de igreja paroquial para o vale. Quando é construída uma nova igreja mais abaixo, na aldeia de Paderne, os fiéis descem a colina e deixam de subir até ao castelo.

1755

O terramoto

O grande terramoto que devastou Lisboa atinge duramente o Algarve. Já fragilizadas por séculos de abandono, as muralhas de Paderne sofrem graves danos: uma boa parte do que hoje falta desapareceu nessa manhã.

1858

O abandono definitivo

Isolado e em ruínas, o castelo é oficialmente abandonado e a sua ermida, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, é desativada. Durante 140 anos, a colina fica entregue às cabras, às flores silvestres e ao vento.

1998 – 2002

Salvo pelos arqueólogos

O instituto nacional do património adquire o monumento e os terrenos, realiza um levantamento em 3D e inicia um programa de restauro das muralhas de taipa e das ruínas da capela. As escavações revelam casas, ruelas, canalizações, cisternas e uma rede de saneamento: o traçado de toda uma aldeia medieval.

Cinco curiosidades do Castelo de Paderne a não perder

Paderne recompensa quem sabe onde olhar. As melhores histórias deste castelo do Algarve estão à vista, escondidas em pormenores que uma simples passagem pela entrada deixa escapar.

01 O Castelo de Paderne, um dos sete castelos da bandeira portuguesa
Símbolo nacional

Está representado na bandeira portuguesa

Olhe para o escudo no centro da bandeira portuguesa e conte os pequenos castelos amarelos que o rodeiam: são sete. Representam as fortalezas tomadas aos muçulmanos durante a Reconquista, e Paderne é identificado como um deles. É uma ideia curiosa numa encosta silenciosa onde provavelmente será o único visitante: esta ruína está representada em cada passaporte português, em cada camisola e em cada edifício oficial do país.

02 Paredes de taipa do Castelo de Paderne com as suas linhas de cal branca
Truque de construtor

Paredes de terra disfarçadas de pedra

A torre que ainda está de pé é um dos melhores locais de Portugal para observar de perto a taipa militar muçulmana. Ao aproximar-se da face exterior, ainda poderá distinguir ténues linhas de cal pintadas sobre a terra: falsas juntas, traçadas deliberadamente para fazer quem se aproximava acreditar que a torre tinha sido construída em pedra aparelhada.

Propaganda feita com cal: barata, rápida e convincente à distância. Sob a pintura, as muralhas atingem 1,8 metros de espessura e apresentam, a intervalos regulares, aberturas verticais para permitir o escoamento da água da chuva, em vez de encharcar a terra por dentro.

03 A entrada em cotovelo do Castelo de Paderne
Defesa através do traçado

Uma entrada impossível de atacar de frente

A entrada não se abre diretamente para o exterior. Faz uma curva em ângulo reto junto à muralha principal, obrigando o atacante a abrandar, a desfazer a formação e a expor o flanco à torre que o domina antes de chegar à porta. Ao atravessá-la hoje, segue um percurso concebido para o transformar num alvo fácil: uma entrada em cotovelo de manual, e a razão pela qual o lado leste, o menos protegido naturalmente, era também o mais bem defendido.

04 Cisterna medieval no interior das muralhas do Castelo de Paderne
Debaixo dos seus pés

Duas cisternas, duas civilizações

No interior das muralhas, entre os contornos baixos das casas, subsistem duas cisternas: uma da aldeia islâmica e outra da povoação cristã que lhe sucedeu. É a prova mais clara de que a colina foi reutilizada em vez de reconstruída: os novos ocupantes instalaram-se no traçado antigo e adaptaram-no.

As escavações também revelaram canalizações, uma rede de abastecimento de água e um sistema de saneamento funcional. Por outras palavras: uma pequena povoação camponesa no alto da colina tinha, no século XII, uma drenagem melhor do que muitas cidades europeias seiscentos anos mais tarde.

05 Ponte romana e trilho sob o Castelo de Paderne no vale do Quarteira
A subida

A velha ponte e o trilho do vale

Mais abaixo do castelo, uma ponte em arco — desde sempre conhecida como ponte romana — atravessa o Quarteira no traçado da antiga via que a fortaleza tinha por missão vigiar. Um trilho sinalizado liga-a às muralhas através de olivais, figueiras e alfarrobeiras, tudo no coração de uma zona protegida da Rede Natura 2000.

Venha ao fim da tarde: todo o vale ganha então a cor das muralhas. É uma das melhores fotografias do interior de Albufeira, e não há uma bilheteira à vista.

Visitar o Castelo de Paderne: como chegar a partir de Albufeira

O Castelo de Paderne é um monumento ao ar livre, de acesso livre, fácil de incluir numa manhã fora de Albufeira. Tudo o que precisa de saber antes de partir, em quatro pontos.

Acesso

  • A 12 km a norte de Albufeira, perto da aldeia de Paderne.
  • Morada: Cerro do Castelo, 8200 Paderne.
  • O último troço é um caminho não asfaltado.
  • Também é acessível a pé a partir da velha ponte, no vale.

A ver

  • A torre de taipa e as suas falsas juntas pintadas.
  • A entrada em cotovelo.
  • As ruínas da capela de Nossa Senhora do Castelo.
  • As duas cisternas e o traçado das casas medievais.
  • A vista sobre o vale do Quarteira.

A saber

  • Não há café nem loja e existe muito pouca sombra na colina.
  • Terreno irregular e pedras instáveis: use calçado fechado.
  • As tardes em pleno verão são muito quentes lá em cima.
  • Mantenha-se afastado da borda das muralhas e da taipa degradada.

Informações práticas

  • Acesso: ruínas ao ar livre, visita livre.
  • Visitas guiadas: possíveis mediante reserva.
  • Melhor luz: de manhã cedo ou ao fim da tarde.
  • Nas proximidades: a aldeia de Paderne, Alte e Benafim.

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Caminhos de terra, aldeias no alto e o castelo sobre a sua crista: o interior do Algarve descobre-se melhor percorrendo os velhos caminhos.

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